BANDEIRA, Manuel. Estrela da tarde. São Paulo: Global, 2012. 

Obra da maturidade de Manuel Bandeira, o volume de poemas Estrela da tarde foi publicado pela primeira vez em 1960, em edição hors commerce. É Bandeira na tarde do espírito e, não por acaso, revelam-se aqui, igualmente, os tons maduros de sua poesia, lançando-se, com desenvoltura, do elegíaco (caso de "Elegia a Londres", "Elegia a Ribeiro Couto",  "Ovalle" e toda a seção "Preparação para a morte") ao erótico ("Nu"). No plano formal, essa oscilação pendular é mantida, como se percebe pelo manejo de formas fixas do repertório tradicional (os diversos sonetos que compõem o livro) a se avizinhar de experimentações focadas na espacialização do poema (nas seções "Composição" e "Ponteios"). Essas últimas, diga-se, são a grande surpresa do volume: é curioso constatar como para Bandeira a plataforma de lançamento dos concretos (espacialização; desarticulação gráfica; ênfase na paronomásia) só faria sentido se encarada, acima de tudo, como prática lúdica - o que não o impede de atingir resultados interessantes, há que se ressaltar. Prefácio impecável de Davi Arrigucci, um dos mais refinados leitores de poesia no âmbito acadêmico neste momento.

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